Monumento ao Trabalhador: vandalizado com piche, local de manifestação e depois destruído
Durante quase três décadas, o Monumento ao Trabalhador ocupou o centro da Praça do Trabalhador, em frente à Estação Ferroviária de Goiânia. Construído no fim da década de 1950, o conjunto tornou-se uma das principais referências urbanas da região e deu origem ao nome pelo qual a praça passou a ser conhecida. Hoje, restam fotografias, documentos e iniciativas que defendem sua reconstrução.
A obra foi inaugurada em 1959, durante a administração do prefeito Jaime Câmara, após reivindicação de entidades sindicais ao governo de Goiás e à Prefeitura de Goiânia para que a capital tivesse um espaço dedicado à representação do trabalho e dos trabalhadores. O projeto recebeu apoio do então governador José Feliciano Ferreira e foi instalado na então Praça Americano do Brasil, em frente à Estação Ferroviária, principal porta de entrada da cidade naquele período.
O monumento foi concebido pelo artista plástico Clóvis Graciano, um dos principais muralistas brasileiros do século XX. Era composto por dois grandes painéis de mosaicos em pastilhas de vidro, intitulados O Mundo do Trabalho e A Luta dos Trabalhadores, montados sobre estrutura de concreto e cercados por espelhos d’água. A implantação modificou a identidade da praça, que passou a ser conhecida como Praça do Trabalhador, denominação incorporada ao cotidiano da cidade.
Ao longo dos anos 1960, o espaço tornou-se ponto de concentração de comemorações do Dia do Trabalhador, assembleias sindicais e manifestações públicas. Sua localização, diante da Estação Ferroviária e no término da Avenida Goiás, reforçava sua visibilidade em uma área de intenso movimento de passageiros e trabalhadores.
A trajetória do monumento começou a mudar após o golpe militar de 1964. Em 1969, os painéis foram atingidos por piche quente, episódio atribuído por pesquisadores à ação do grupo Comando de Caça aos Comunistas (CCC), provocando danos significativos às pastilhas de vidro. Anos depois, em 1973, a administração municipal determinou a retirada das partes deterioradas dos mosaicos, alterando a configuração original da obra.
O desfecho ocorreu em 1987. Durante a gestão do prefeito Joaquim Roriz, o monumento foi demolido sob a justificativa de permitir o prolongamento da Avenida Goiás e a reorganização do sistema viário da região da antiga estação. Com sua retirada, desapareceu um dos principais marcos da memória urbana da Praça do Trabalhador.
Desde então, historiadores, arquitetos, artistas e representantes de entidades culturais defendem a reconstrução do Monumento ao Trabalhador. Audiências públicas, estudos técnicos e projetos de lei foram apresentados ao longo das últimas décadas, mas a obra ainda não foi refeita. A história do monumento permanece registrada em fotografias, documentos e na memória de moradores que conheceram a praça antes das transformações urbanas ocorridas no entorno da antiga Estação Ferroviária.





