As casas que desapareceram após o Césio-137
As casas atingidas pelo acidente com o Césio-137, em Goiânia, tornaram-se um dos símbolos das consequências do maior acidente radiológico ocorrido fora de uma usina nuclear. Em setembro de 1987, após a abertura de um aparelho de radioterapia abandonado nas antigas instalações do Instituto Goiano de Radioterapia, o material radioativo foi espalhado por diferentes pontos da cidade. A contaminação alcançou residências, ferros-velhos e estabelecimentos comerciais, exigindo uma operação inédita de isolamento, descontaminação e demolição de imóveis.
As residências que apresentaram níveis elevados de contaminação foram interditadas e, após avaliações técnicas da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), acabaram demolidas. Entulhos, móveis, objetos pessoais e toneladas de solo contaminado foram recolhidos e encaminhados para armazenamento definitivo. Nos locais onde existiam as casas, muitos terrenos permaneceram vazios durante anos, enquanto outros receberam novas construções somente após a descontaminação e a liberação das áreas pelas autoridades.
As imagens registradas naquele período revelam um cenário pouco conhecido pelas novas gerações: ruas isoladas, imóveis cercados, equipes utilizando equipamentos de proteção e casas sendo desmontadas para evitar a propagação da contaminação. Quase quatro décadas depois, esses registros continuam documentando um dos episódios que mais marcaram a história de Goiânia e transformaram a rotina de centenas de famílias afetadas pelo acidente.









