O polêmico fim da Caixego
A Caixa Econômica do Estado de Goiás (Caixego) foi criada pela Lei estadual nº 4.206, de 6 de novembro de 1961, com a finalidade de ampliar o crédito e contribuir para o desenvolvimento econômico do Estado. A instituição foi instalada em 1964, durante o governo de Otávio Lage de Siqueira, e começou suas atividades concentrada em empréstimos consignados para servidores públicos estaduais, além da captação de depósitos e operações de penhor. Ao longo das décadas de 1960, 1970 e 1980, a Caixego ampliou suas operações e passou a desempenhar papel importante no financiamento de atividades econômicas e na expansão da estrutura financeira de Goiás.
A trajetória mudou no final dos anos 1980, quando problemas financeiros e questionamentos sobre operações da instituição passaram a ganhar espaço no debate político e econômico. Em 1990, no início do governo Fernando Collor, o Banco Central determinou a liquidação extrajudicial da Caixego, encerrando suas atividades como instituição financeira. No mesmo ano, o Governo de Goiás aprovou a Lei nº 11.369, de 19 de dezembro, estabelecendo a transferência para o Banco do Estado de Goiás (BEG) dos direitos relativos a contratos, títulos e obrigações das carteiras comercial e rural da Caixego.
A queda da Caixego ocorreu em um momento de transformação do sistema financeiro brasileiro, marcado pelo combate à inflação, pela reorganização das instituições estaduais e, posteriormente, pelo processo de saneamento e privatização dos bancos públicos estaduais. Estudos acadêmicos sobre o caso apontam que a extinção da instituição fez parte desse processo mais amplo de reestruturação do sistema financeiro estadual. A história da Caixego, porém, também ficou marcada por acusações e investigações relacionadas a operações financeiras e questões políticas, transformando o antigo banco em um dos episódios mais controversos da história econômica de Goiás.


