Descoberta: Mapa dos anos 1920 já previa Brasília
Décadas antes da inauguração de Brasília, em 1960, mapas brasileiros já registravam a área destinada à futura capital do país. Este mapa, publicado nos anos 1920, apresenta o Distrito Federal projetado no Planalto Central, próximo a Formosa, Planaltina, Pirenópolis, Corumbá de Goiás, Anápolis e Santa Luzia — atual Luziânia. O desenho estava relacionado aos estudos realizados desde o fim do século XIX para a transferência da capital federal para o interior, especialmente à área demarcada pela Comissão Exploradora do Planalto Central, conhecida como Quadrilátero Cruls.
O território indicado, porém, era bastante diferente do atual Distrito Federal. O mapa mostra uma área de formato aproximadamente retangular, mais extensa no sentido leste-oeste, enquanto o DF criado para receber Brasília possui contornos diferentes, resultado de uma nova delimitação territorial feita a partir de terras então pertencentes a municípios goianos. Planaltina aparece fora do quadrilátero representado, embora parte de seu antigo território tenha sido posteriormente incorporada ao Distrito Federal. Luziânia, Formosa, Anápolis, Corumbá de Goiás e Pirenópolis ajudam a localizar geograficamente a área onde, décadas depois, seria implantada a nova capital.
A hidrografia é um dos elementos centrais do documento. O mapa destaca a região como “Divortium Aquarum”, expressão latina para divisor de águas, mostrando cursos ligados às bacias do Tocantins, do Paraná e do São Francisco. Essa característica do Planalto Central teve importância nos estudos para a escolha do território da futura capital. Assim, muito antes de Juscelino Kubitschek iniciar a construção de Brasília, mapas como este já colocavam no coração de Goiás um espaço reservado ao futuro Distrito Federal — uma capital que ainda não existia, mas cujo lugar já começava a aparecer no mapa do Brasil.


