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ARQUITETURA

Itatiaia: o prédio que redefiniu o que era luxo

31 de agosto de 2026

Em 1977, Goiânia ainda avançava em direção ao sul e o Setor Marista começava a consolidar a imagem de endereço das famílias de maior poder aquisitivo. Foi nesse cenário que surgiu o Edifício Itatiaia, na Avenida 85, esquina com a Rua 143-A, ao lado do Colégio Marista. O anúncio da época não economizava na promessa: “conforto, luxo e beleza”. A localização ajudava a vender essa ideia. O colégio estava ali desde 1962 e havia contribuído para valorizar uma região que, no início daquela década, começava a receber grandes residências e moradores que deixavam áreas mais centrais da capital.

O luxo do Itatiaia precisa ser medido pelos padrões de uma Goiânia dos anos 1970. O empreendimento teria apenas seis andares, mas oferecia dois elevadores, hall nobre, área de lazer com jardins e playgrounds em 4.550 metros quadrados, além de somente quatro apartamentos por andar. Cada unidade possuía quatro quartos, suíte, salas de estar e refeições, dois banheiros, copa, cozinha, área de serviço, dependência para empregada e armários embutidos em todos os quartos. Mais revelador ainda: eram duas garagens exclusivas para cada apartamento, numa cidade em que a multiplicação do automóvel particular começava a alterar definitivamente os hábitos e a paisagem urbana.

A publicidade também revela para quem o prédio havia sido pensado. O texto dizia que morar no Itatiaia era uma decisão tomada “com inteligência e estilo” e associava diretamente o endereço a conforto e valorização imobiliária. Não se vendiam apenas metros quadrados. Vendia-se posição social. Naqueles anos, o Marista passava justamente por esse processo: a região próxima à Avenida 85 atraía famílias mais abastadas, recebia casas suntuosas e se valorizava à medida que Goiânia se expandia para o sudoeste.

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A verticalização residencial ainda não tinha no Marista a escala que alcançaria posteriormente. Uma reportagem histórica sobre o bairro registra que até 1974 praticamente não havia outras edificações na região, segundo depoimento de um antigo chefe da Divisão de Cartografia da Prefeitura. O avanço imobiliário mudaria rapidamente esse cenário. O Itatiaia aparece, portanto, em um momento de transição: o luxo das grandes casas começava a encontrar uma versão vertical, com elevador, garagem, lazer e serviços reunidos no mesmo endereço.