Gustav Ritter: o alemão que ajudou a construir a arte goiana e virou nome de centro cultural
Quando Henning Gustav Ritter se estabeleceu em Goiânia, em 1949, encontrou uma capital com pouco mais de 15 anos e um ambiente artístico ainda em formação. Nascido em Hamburgo, na Alemanha, em 1904, o arquiteto, escultor e professor trouxe uma formação ligada às correntes modernas europeias e passou a lecionar na Escola Técnica Federal de Goiás. Sua chegada seria decisiva principalmente para o desenvolvimento da escultura no Estado. O Museu de Arte de Goiânia considera seu trabalho uma referência fundamental da produção tridimensional goiana na segunda metade do século XX.
A contribuição de Ritter foi além de sua própria obra. Ao lado de Luiz Curado e Frei Nazareno Confaloni, participou da criação da Escola Goiana de Belas Artes, fundada em 1952, uma das instituições que estruturaram o ensino artístico superior em Goiás. Mais tarde, também esteve ligado à formação da escola que daria origem à atual Faculdade de Artes Visuais da Universidade Federal de Goiás. Como professor de escultura e modelagem, ajudou a formar as primeiras gerações de artistas em uma Goiânia que começava a construir também sua identidade cultural.
Na escultura, Ritter introduziu em Goiás uma linguagem moderna, marcada pela abstração e pelo conhecimento técnico adquirido na Europa. Sua influência tornou-se particularmente perceptível a partir dos anos 1960 e alcançou artistas que posteriormente construíram carreiras importantes, entre eles Maria Guilhermina e Ana Maria Pacheco. Ritter também conquistou prêmios e participou de exposições nacionais: recebeu a Grande Medalha de Prata no Salão de Arte Moderna de São Paulo, em 1969, venceu a categoria escultura da I Bienal de Artes Plásticas de Goiás, em 1970, e foi selecionado para representar o Brasil na XI Bienal de São Paulo, em 1971.
Ritter morreu em Goiânia, em 21 de outubro de 1979, aos 75 anos, mas seu nome permaneceu associado à formação artística do Estado. Em 1988, o Governo de Goiás inaugurou em Campinas o Centro Cultural Gustav Ritter, batizado em sua homenagem e posteriormente transformado em referência para o ensino de música, dança e outras linguagens artísticas. A homenagem resume seu peso histórico: Gustav Ritter não foi apenas um escultor que escolheu Goiás para viver. Foi um dos responsáveis por criar as instituições, formar artistas e estabelecer as bases sobre as quais parte importante da arte goiana se desenvolveu.




