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O fim da sede do jornal Diário da Manhã

09 de setembro de 2026

Durante décadas, o prédio do Diário da Manhã, na Avenida Anhanguera, nº 2.833, no Setor Leste Universitário, foi um dos endereços mais conhecidos da imprensa goiana. Ali funcionaram redação, administração e parque gráfico do jornal fundado em 1980 por Batista Custódio e Consuelo Nasser, a partir da experiência do Cinco de Março. O edifício de grandes proporções acompanhava a ambição do periódico: diariamente, jornalistas, fotógrafos, articulistas e gráficos trabalhavam no local onde eram produzidas algumas das principais notícias políticas, econômicas e culturais de Goiás. O endereço tornou-se também ponto de circulação de políticos, escritores, artistas e personagens da vida pública do Estado.

A sede tinha uma característica que a diferenciava de praticamente qualquer redação de jornal no Estado: seus jardins também eram uma obra de arte. A partir de 1986, Batista Custódio e o artista plástico goiano Omar Souto começaram a formar nos espaços externos e internos um conjunto de vegetação, pinturas, mosaicos e esculturas de concreto em relevo. Entre as figuras representadas estavam Pedro Ludovico Teixeira, Cora Coralina, Alfredo Nasser, Bernardo Élis, Yêda Schmaltz e Fábio Nasser, além de personagens como Santos Dumont, Moisés, Buda e Cleópatra. Em 2016, o conjunto chegou a ser objeto de lei municipal de tombamento; posteriormente, porém, essa lei foi declarada inconstitucional pelo Tribunal de Justiça de Goiás.

As dificuldades financeiras do Diário da Manhã acabaram determinando também o destino do imóvel. Depois de anos de problemas econômicos, dívidas e recuperação judicial, a antiga sede foi transferida para pagamento de dívidas trabalhistas, segundo confirmou Júlio Nasser em 2026. O jornal continuou existindo em outro endereço, enquanto o antigo prédio foi desativado. Sem a movimentação que durante décadas marcou o local, a estrutura entrou em processo de deterioração; em 2025, já havia registros do imóvel abandonado e ocupado irregularmente. O contraste tornou-se simbólico: o lugar onde diariamente se registrava a história de Goiás passou ele próprio a representar o encerramento de uma fase da imprensa goiana.

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