Quando os trens chegavam em Campinas
Estação de Campinas marcou a expansão da ferrovia em Goiânia
A Estação Ferroviária de Campinas nasceu da expansão da Estrada de Ferro Goiás dentro de Goiânia, em um período em que os trilhos eram vistos como símbolo de modernidade e integração. A extensão até Campinas exigiu importantes obras de engenharia, como grandes aterros, um viaduto sobre a então Avenida Contorno, atual Avenida Oeste, e uma ponte sobre o Córrego Capim-Puba. A dissertação A antiga linha férrea de Goiânia – De símbolo da modernidade à obsolescência, de Simone Buiate Brandão, registra a chegada festiva do primeiro trem à estação em 24 de novembro de 1957, embora o funcionamento regular do trecho só tenha sido oficialmente inaugurado posteriormente.
Projetada pelo Departamento Nacional de Estradas de Ferro (DNEF), a estação tinha características art déco, com saguão de espera e uma marcante marquise curva sobre a entrada dos passageiros. O complexo incluía ainda armazém, pequeno pátio e um conjunto de casas destinadas aos ferroviários. Como a estrutura não permitia a manobra completa das composições, o trem chegava à estação e precisava retornar de ré. O serviço regular entre Goiânia e Campinas foi inaugurado em 25 de janeiro de 1959, com uma composição chamada “Uyara”, puxada por uma moderna locomotiva a diesel. O plano era ainda mais ambicioso: os trilhos deveriam prosseguir por Trindade e avançar em direção ao oeste goiano.
A vida ferroviária da estação, porém, foi relativamente curta. A perda de espaço das ferrovias para o transporte rodoviário levou à progressiva desativação do trecho Goiânia–Campinas e, na década de 1980, o antigo eixo ferroviário entrou definitivamente em processo de transformação. A Estação de Campinas permaneceu, mas sofreu anos de abandono e invasões. Somente em 2006 o prédio foi reformado para receber instalações da Polícia Militar.





