Bosque dos Buritis, a área verde mais antiga de Goiânia, alagada e cheia de cobras
O Bosque dos Buritis é tão antigo quanto o próprio projeto de Goiânia. Ele já aparecia no plano urbanístico elaborado por Attílio Corrêa Lima em 1933, concebido como uma das áreas verdes que deveriam acompanhar o crescimento da nova capital. A proteção foi formalizada no plano aprovado pelo Decreto-Lei nº 90-A, de 30 de julho de 1938. Localizado entre o Centro e a área que se transformaria no Setor Oeste, o bosque preservava nascentes e vegetação típica do Cerrado e integrava a ideia de uma cidade planejada com parques e reservas naturais.
A área era quase um pântano, alago, e segundo alguns relatos no livro “A Construção”, de Iúri Rincon Godinho, no local onde havia muitas cobras. Tanto que a área ficou cercada muito tempo para impedir que o gado fosse pastar ali.
Com o avanço da urbanização, porém, o Bosque sofreu sucessivas perdas de território e alterações. A área reservada originalmente foi sendo pressionada pela abertura de ruas, ocupação do entorno e implantação de equipamentos públicos. Ainda assim, sobreviveu como uma das principais manchas verdes do centro expandido. Seus lagos, caminhos, árvores e áreas de convivência transformaram o espaço em ponto tradicional de passeio dos goianienses. Hoje, o parque conserva cerca de 14 hectares, uma fração da área prevista nos primeiros planos, mas suficiente para revelar a importância que Attílio Corrêa Lima atribuía às áreas verdes na concepção da capital.
A fotografia aérea dos anos 1990 mostra bem essa relação entre natureza e crescimento urbano. O bosque aparece como uma grande ilha verde cercada por edifícios, numa região que já havia passado por intensa verticalização. Além da função ambiental, o local consolidou-se como espaço de cultura e lazer, próximo a instituições importantes e integrado à vida cotidiana da cidade. A imagem também ajuda a entender uma característica marcante de Goiânia: enquanto a cidade crescia para todos os lados e ganhava arranha-céus, o Bosque dos Buritis permanecia no coração da capital como uma lembrança viva do projeto urbano concebido ainda em 1933.


