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POLÍCIA

O preso que foi morto dentro do Serra Dourada

09 de outubro de 2026

Durante seis dias de 1996, o Estádio Serra Dourada teve uma função que nada tinha a ver com futebol. Com a rebelião do Cepaigo, iniciada em 28 de março, centenas de detentos que não participavam do motim foram retirados do presídio e levados provisoriamente para o estádio. A Folha de S.Paulo registrou que cerca de 480 presos estavam no Serra Dourada, sob vigilância do Exército.

Foi nesse cenário que morreu Nilton César David, de 27 anos. Preso por tráfico de drogas, ele estava justamente entre os detentos que não quiseram participar da rebelião do Cepaigo. Segundo o “Diário da Manhã” de 4 de abril de 1996, Nilton foi atacado no Serra Dourada por outro presidiário, de 24 anos. O agressor utilizou uma faca de mesa que havia escondido dos guardas em um colchão trazido do presídio. Nilton recebeu vários golpes, um deles no coração, foi encaminhado ao Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo), mas morreu no final da tarde. A alegação de que existia uma desavença anterior entre os dois foi apresentada pelo próprio agressor ao jornal. 

A transformação do Serra Dourada em prisão improvisada foi uma das situações mais insólitas provocadas pela rebelião. Familiares permaneceram nas proximidades tentando obter informações, enquanto soldados do Exército controlavam o acesso ao estádio. Encerrado o motim, 434 presos ainda precisaram ser transferidos do Serra Dourada de volta para o Cepaigo. A edição de 5 de abril do “Diário da Manhã” registrou que o presídio havia ficado praticamente destruído.

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