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PERSONAGENS

Perseguido pelos militares, artista da Globo. A vida incrível de Stepan Nercessian

04 de julho de 2026

O goiano Stepan Nercessian saiu das redações do extinto semanário Cinco de Março, de Batista Custódio, para tentar a vida de artista no Rio de Janeiro, no início dos anos 70. Nascido em Cristalina, em 1953, ele é filho de pais armênio e cearense. Interessou-se cedo pela política, aproximando-se do antigo Partido Comunista Brasileiro (PCB), com apenas 11 anos de idade. Devido à sua destacada atuação no movimento estudantil, foi impedido de cursar parte do colegial em escolas públicas, por pressão da ditadura militar.
No final dos anos 60, Stepan embarcou para o Rio de Janeiro onde iniciou sua carreira artística. Escolhido em testes, contou com seu talento e uma sorte inquestionável ao ser escolhido como ator do filme Marcelo Zona Sul (1970), que não fez sucesso algum. Daí para a frente atuou em trabalhos que também não tiveram muita repercussão, como André a Cara e a Coragem (1971), A Rainha Diaba (1974) e Gargalhada Final (1977).
Entretanto, a dureza da vida no cinema nacional abriu-lhe as portas da poderosa Rede Globo, onde entrou em 1972. Como todo iniciante, fez uma série interminável de pontas e personagens secundários em novelas, como Bandeira Dois, O Astro, Feijão Maravilha e Vale Tudo.
Demorou, mas Stepan conseguiu se firmar como um ator de relevância na televisão brasileira e no Rio de Janeiro. Quem conversa com ele hoje entende rapidamente que Stepan se tornou muito mais carioca do que goiano. Apesar de não perder o contato com o Estado, sua história é indissociável dos cariocas, chegando a ser eleito vereador no Rio pelo PPS. É botafoguense, foi ainda deputado federal e torce pela Caprichosos de Pilares. Foi também presidente do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversão do Rio de Janeiro e hoje é presidente do Retiro dos Artistas.

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