A história da construção e modificações da Br-153 em Goiânia, a rodovia que virou avenida
A BR-153 nasceu como parte da grande ligação rodoviária longitudinal do Brasil, atravessando Goiás de norte a sul e conectando Goiânia a cidades como Anápolis e Itumbiara. Quando seus acessos à capital foram implantados, a estrada passava por áreas pouco ocupadas. A expansão urbana, porém, avançou rapidamente em sua direção. Já em 1968, uma lei municipal autorizava convênio entre a Prefeitura e o antigo DNER para alargar a BR-153 entre o trevo e o Rio Meia Ponte e construir pelo menos um viaduto, com separação das pistas e arborização. Era o início das intervenções para adaptar a rodovia a uma cidade que crescia ao seu redor.
Nas décadas seguintes, bairros, comércio e novos eixos viários surgiram dos dois lados da BR-153, multiplicando cruzamentos e acessos. No fim de 1979, começou a construção de um viaduto próximo ao Estádio Serra Dourada, concluído estruturalmente em maio de 1980. A obra integrava um projeto maior do DNER para o anel rodoviário de Goiânia, que previa quatro pistas e a remodelação do encontro com a Avenida Anhanguera. Reportagem de julho de 1980 já apontava o problema que se tornaria permanente: congestionamentos e acidentes nos cruzamentos.
O processo continuou à medida que Goiânia avançava para além da rodovia. Viadutos e trevos passaram a marcar sua paisagem para permitir as ligações entre os dois lados da cidade sem interromper o tráfego da BR. Um exemplo mais recente é o Viaduto do Caiçara, no km 492, ligando a Estrada Ubirajara Berocan Leite à Rua José Ludovico de Almeida. A obra custou cerca de R$ 10,8 milhões e foi inaugurada pelo DNIT em 4 de julho de 2011, depois de uma reivindicação que, segundo o órgão, durava mais de 20 anos.
Hoje, a BR-153 vive uma contradição criada pelo crescimento de Goiânia. Continua sendo uma rodovia federal estratégica, utilizada pelo tráfego regional e nacional, mas dentro da Região Metropolitana funciona também como uma grande via urbana, uma avenida, cercada por bairros, condomínios, centros comerciais, universidades e acessos locais. A mistura de deslocamentos urbanos com caminhões e veículos de longa distância transformou a antiga estrada periférica em uma barreira física dentro da própria mancha urbana.
Uma nova transformação pretende enfrentar justamente esse problema. O Contorno Leste de Goiânia, discutido há décadas, foi concebido para retirar principalmente o tráfego pesado que hoje atravessa Goiânia e Aparecida pela BR-153/060. O projeto prevê cerca de 44 quilômetros, ligando a região de Hidrolândia à saída para Teresópolis de Goiás, passando por Senador Canedo. A história da BR-153 em Goiânia é, portanto, a de uma estrada que a cidade alcançou, atravessou e incorporou. Primeiro vieram a pista e os carros. Depois, os bairros. Desde então, Goiânia tenta fazer os dois caberem no mesmo lugar.


