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GOIÂNIA

A rua de pedestres que virou símbolo da boemia, teve doces, cinema e quase perdeu sua identidade

11 de outubro de 2026

Houve um tempo em que a Rua 8, no Centro de Goiânia, era um dos lugares mais disputados da cidade. Ali se encontravam estudantes, artistas, intelectuais, comerciantes e jovens em busca de diversão. A transformação começou em 1977, durante a administração do prefeito Francisco de Castro, o Chiquinho de Castro, quando o trecho entre a Avenida Anhanguera e a Rua 3 foi fechado ao trânsito de automóveis e destinado aos pedestres. Nascia a Rua do Lazer, uma experiência urbana que antecipava a valorização dos espaços de convivência na capital. Na década de 1980, a região viveu seus anos de maior efervescência, com cinemas como o Casablanca, bares, música ao vivo, encontros culturais, uma feira do doce e do mel e uma intensa vida noturna. Mais que um calçadão, a Rua do Lazer se transformou em um símbolo de uma Goiânia que ainda tinha no Centro seu principal endereço de diversão e sociabilidade.

Com o crescimento da cidade, a expansão dos shoppings e a transferência de parte da vida noturna para outros bairros, a região perdeu movimento. Fachadas comerciais passaram a esconder edifícios de arquitetura art déco, enquanto a insegurança e a deterioração do espaço público afastavam frequentadores. A crise chegou ao ponto de comerciantes defenderem a volta dos automóveis. Em outubro de 1998, o jornal Diário da Manhã publicou reportagem sobre a proposta de reabrir a Rua 8 ao tráfego, reivindicação de lojistas que apontavam queda nas vendas e dificuldades de acesso. Alguns estimavam faturamento 30% inferior ao de estabelecimentos em outras ruas. Era uma inversão histórica: a mesma rua que havia sido fechada para aproximar as pessoas corria o risco de perder sua principal característica justamente porque as pessoas haviam deixado de frequentá-la.

A Rua do Lazer atravessou décadas de abandono, reformas e tentativas de recuperação. Em 2019, recebeu intervenções urbanísticas e, em 2025, uma nova revitalização recuperou calçamento, iluminação, mobiliário e fachadas. A retomada dos bares e das atividades culturais devolveu movimento à região. Em abril de 2026, a Lei Municipal nº 11.614 reconheceu a Rua do Lazer como patrimônio cultural imaterial de Goiânia, consagrando oficialmente uma história construída por gerações de frequentadores.

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