Assim eram os primeiros postos de Goiânia
Nos anos 1930 e 1940, parar em um posto de gasolina em Goiânia era muito diferente da rotina atual. Havia poucos automóveis e os estabelecimentos eram pontos de apoio para uma cidade que nascia. Campinas desempenhou papel decisivo nessa história: antes mesmo da construção da nova capital, já existia ali uma bomba da Standard Oil Company of Brazil, instalada na Avenida 24 de Outubro, esquina com a Praça Joaquim Lúcio (veja a foto, enboada por Luis Pucci). Com o início das obras de Goiânia, em 1933, e a transferência definitiva da capital, em 1937, aumentaram a circulação de caminhões, carros oficiais e veículos particulares e, consequentemente, a necessidade de combustível. Na própria década de 1930 funcionava o Auto Posto Amazonas, na Avenida Anhanguera com a Rua José Hermano, outro registro do avanço do automóvel pela região.
O abastecimento também tinha outro ritual. Bombas como as que aparecem na fotografia possuíam mecanismos muito mais simples que os equipamentos eletrônicos atuais; em modelos comuns daquele período, o combustível era bombeado e medido mecanicamente antes de seguir pela mangueira até o tanque. O frentista fazia praticamente tudo: abastecia, conferia óleo e água e prestava pequenos serviços ao motorista. Em uma Goiânia ainda marcada por ruas sem pavimentação e por carroças e carros de boi, os postos representavam a modernidade que chegava ao Centro-Oeste. Campinas tornou-se uma espécie de base logística da construção da capital, concentrando comércio, hotéis, oficinas e estabelecimentos ligados aos veículos.
A década de 1940 trouxe uma dificuldade inesperada. Com a Segunda Guerra Mundial (1939–1945) e as restrições ao combustível, até os poucos automóveis particulares existentes em Goiânia sofreram com o racionamento. O gasogênio, equipamento que permitia movimentar veículos utilizando gás produzido pela queima de materiais sólidos, tornou-se uma alternativa; há registro de dois caminhões equipados com o sistema chegando à capital já em 1938. A fotografia do antigo posto em Campinas, portanto, preserva mais do que bombas e automóveis de outra época: mostra o momento em que gasolina, motores e estradas começavam a mudar definitivamente a vida da cidade recém-construída.


