Casablanca: o cinema de luxo de Goiânia que virou pornô, depois igreja e acabou fechado
Houve um tempo em que entrar no Cine Casablanca, na Rua 8, no Centro de Goiânia, era quase um acontecimento social. Inaugurado em 1954, o cinema tornou-se um dos mais prestigiados da capital, numa época em que os homens chegavam às sessões de paletó e gravata e as famílias se reuniam para assistir aos grandes lançamentos de Hollywood. Com capacidade para mais de 500 espectadores, o Casablanca exibia produções como Ben-Hur, E o Vento Levou, Os Dez Mandamentos e Assim Caminha a Humanidade. Suas matinês eram especialmente concorridas pelos estudantes, que aproveitavam a escuridão da sala para namorar. Entre os frequentadores estava o próprio fundador de Goiânia, Pedro Ludovico Teixeira, apreciador dos filmes de faroeste.
A popularização da televisão, a expansão urbana e, posteriormente, a chegada dos cinemas aos shopping centers reduziram o público das antigas salas de rua. Para sobreviver, o Casablanca passou a exibir filmes pornográficos. Em fevereiro de 1996, o Diário da Manhã noticiou a possibilidade de o cinema abandonar a programação erótica, numa tentativa de acompanhar a revitalização da Rua do Lazer. Quatro meses depois, em junho, outra reportagem registrava a insatisfação dos comerciantes com os cartazes pornográficos expostos na fachada. O cinema acabou encerrando suas atividades e seu edifício passou a abrigar uma igreja evangélica, destino semelhante ao de outras antigas salas de exibição de Goiânia.
A história do Casablanca, entretanto, ganhou um novo capítulo em 2026. Depois de funcionar como templo religioso, o imóvel foi desocupado e voltou a ficar fechado. Em junho, o antigo cinema foi alugado temporariamente para um evento político, que reacendeu a discussão sobre a recuperação do edifício e sua possível utilização cultural.


