Chumbo Grosso: o programa policial que marcou a televisão goiana e fez sucesso no Caso Pedrinho
Durante anos, o programa de TV “Chumbo Grosso” e a figura de Batista Pereira fizeram parte das manhãs de milhares de goianos. Exibido pela TV Goiânia, então afiliada da Band, o programa se especializou no jornalismo policial: crimes, prisões, operações das forças de segurança, acidentes e ocorrências que movimentavam Goiânia e o interior apareciam diariamente na tela, acompanhados pelos comentários diretos e enfáticos do apresentador. Um estudo acadêmico apresentado à Intercom descreveu a atração como um programa de perfil jornalístico-policial voltado principalmente para a segurança pública.
A fórmula apostava deliberadamente no impacto. Sirenes, ruídos de tiros e até som de helicóptero faziam parte da identidade sonora do Chumbo Grosso. Batista não se limitava a chamar as reportagens: comentava os casos, cobrava providências das autoridades e falava diretamente com o público. A cobertura podia ser bastante explícita. Em 2010, o UOL descreveu o programa como de forte apelo sensacionalista e registrou que chegava a exibir imagens de corpos de vítimas de crimes no horário do almoço — uma característica que também gerava críticas ao formato.
O programa alcançou forte repercussão popular. Um estudo da Intercom registrou dados divulgados pela própria atração que apontavam 17,6% de share e liderança no horário naquele período. Um exemplo da projeção do Chumbo Grosso ocorreu no caso Pedrinho: a mesma pesquisa da UFG registra que, em novembro de 2002, foi Batista Pereira quem acompanhou o jovem de Goiânia até Brasília, quando ele passou um fim de semana com a família biológica em meio à enorme cobertura jornalística do caso.
Batista comandou a atração na TV Goiânia por aproximadamente dez anos, até deixar a emissora em setembro de 2013. O programa continuou com outros apresentadores, enquanto Batista passou por outros veículos. Anos depois, retornou ao Chumbo Grosso: em 2021 estava novamente à frente da atração na TV Goiânia, então exibida das 7h às 8h, e em 2022 o programa foi transferido para o começo da noite. Um profissional que passou pelas funções de repórter, editor-chefe e apresentador da atração, Sinval Lopes, definiu posteriormente o Chumbo Grosso como o maior telejornal policial de Goiás, destacando como o público recorria ao programa quando queria acompanhar um crime de grande repercussão.
E o nome não desapareceu. Batista Pereira voltou a utilizar Chumbo Grosso também no ambiente digital. Em 2025, a ALÔTV levou ao ar novas edições comandadas por ele, misturando as principais notícias de Goiás, ocorrências policiais e entrevistas.


