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Consuelo Nasser, feminista, dona de jornal, criou o Cevam, polêmica e de história familiar trágica

04 de outubro de 2026

Consuelo Nasser nasceu em Caiapônia, em 28 de dezembro de 1938, e ainda criança teve sua trajetória profundamente ligada a Alfredo Nasser, um dos principais políticos e jornalistas da história de Goiás. Filha de Gabriel Nasser, passou a viver com o tio Alfredo, que exerceu para ela um papel paterno. Em 1946, mudou-se para Goiânia para morar com ele e, anos depois, transformaria essa relação em memória histórica: dedicou-se a reunir seus artigos, discursos e documentos e publicou, em 1995, o livro Alfredo Nasser – O líder não morreu.

Formada em Direito no Rio de Janeiro em 1960, Consuelo retornou definitivamente a Goiânia em 1962. Sua ligação com o jornalismo, entretanto, vinha de antes. Participara da articulação para a criação do Cinco de Março, jornal surgido após os conflitos estudantis de 1959, e conseguiu com Alfredo Nasser a cessão das oficinas do antigo Jornal de Notícias para viabilizar a publicação. Ao voltar a Goiás, tornou-se redatora-chefe do semanário. Foi nesse ambiente que sua vida se uniu à do jornalista Batista Custódio. Os dois passaram a viver juntos em 1962 e oficializaram o casamento em 12 de setembro de 1981.

Consuelo construiu uma trajetória própria na imprensa goiana. Ajudou a fundar veículos como o Cinco de Março, o Diário da Manhã e a Folha de Goyaz, além da revista Presença. Comandou o Cinco de Março em períodos particularmente difíceis, dirigiu financeiramente o Diário da Manhã entre 1982 e 1984 e a Folha de Goyaz em 1984, além de fundar e dirigir o Edição Extra e a revista Presença.

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Sua atuação ultrapassou o jornalismo. Consuelo tornou-se uma das referências do movimento de defesa das mulheres em Goiás e fundou o Centro de Valorização da Mulher (Cevam) no início dos anos 1980. A instituição nasceu no contexto da mobilização contra a violência de gênero e, mais de quatro décadas depois, continua funcionando em Goiânia no acolhimento de mulheres e famílias vítimas de violência e em situação de vulnerabilidade. Hoje leva o nome de sua fundadora: Centro de Valorização da Mulher Consuelo Nasser.

A vida familiar de Consuelo também foi atravessada por uma tragédia. Seu filho Fábio Nasser Custódio dos Santos, jornalista que cresceu dentro das redações e teve participação na história do Diário da Manhã, morreu por suicídio em 17 de janeiro de 1999, aos 32 anos. A perda abalou profundamente Consuelo. Fontes biográficas da Câmara Municipal de Goiânia relacionam diretamente os últimos anos de sua vida ao sofrimento provocado pela morte do filho.

Pouco mais de três anos depois, em 20 de agosto de 2002, Consuelo Nasser também se suicidou, aos 63 anos.