O terminal fantasma de trens de Goiânia
No fim da década de 1970, Goiânia planejou uma obra que poderia ter mudado a história do transporte na capital: um Terminal Rodoferroviário na Praça do Trabalhador, aproveitando a Estação Ferroviária e os trilhos existentes. Em 1979, no governo Ary Valadão, foram encomendados estudos para integrar em um mesmo complexo os transportes ferroviário, rodoviário interurbano e urbano. Uma das propostas, do arquiteto Wilmar Cardoso dos Santos, previa uma construção de três pavimentos, em formato semicircular, com grandes salões de espera e estrutura para receber ônibus e trens.
O projeto ganhou contornos concretos no início dos anos 1980. Um convênio firmado entre a Rede Ferroviária Federal, o Governo de Goiás, a Superintendência de Transportes e Terminais de Goiás e a Prefeitura previa inicialmente adaptar a própria estação como Terminal Rodoferroviário Provisório. O plano definitivo era mais ambicioso: em uma área de aproximadamente 70 mil metros quadrados, seriam reunidos os módulos rodoviário interurbano, ferroviário e de conexão com o transporte urbano. A previsão divulgada em 1980 era de que o terminal rodoviário entrasse em operação em 1982 e movimentasse 8,5 milhões de passageiros. Desenhos de 1981 chegaram a mostrar a implantação do complexo e uma ilustração publicada em 1982 apresentou como seria o futuro terminal.
A Rodoferroviária, entretanto, nunca foi construída. Ainda em 1983, o prefeito Nion Albernaz defendia publicamente sua implantação, mas, durante sua administração e o governo Iris Rezende, o projeto acabou abandonado. Em seu lugar surgiu o Complexo Integrado de Ocupações da Área da RFFSA, que previa uma nova rodoviária, o prolongamento da Avenida Goiás, intervenções urbanas e a preservação da antiga estação. O Terminal Rodoviário de Goiânia, projetado por Paulo Mendes da Rocha e Luiz Fernando Cruvinel, com Moacyr Freitas e Ercílio Gonçalves de Souza, acabou inaugurado em 1986. A ideia de fazer trens e ônibus dividirem um grande terminal no coração da cidade ficou apenas nos projetos — uma Goiânia que chegou a ser desenhada, mas nunca existiu.


