A fantástica turma de advogados de Goiás em 1946
TBT com LBP – Goiânia em 1953 era “uma cidade de estudantes e professores”.
Por @melobpereira
Ao ser transferido – na condição de funcionário da Caixa Econômica Federal – de Anápolis para Goiânia, Lourival Batista Pereira (LBP) se deparou com uma capital muito jovem ainda, que se movimentava em torno de oportunidades para o serviço público (municipal, estadual e federal), trabalhadores e empreendedores em diversos segmentos – chamados hoje de “pioneiros”, e muitos estudantes e professores que frequentavam os cursos científicos e as faculdades que ofereciam a chance de – ao contrário de encontrar “um trabalho” em Goiânia – descobrir, diante da experiência acadêmica, sua verdadeira vocação e uma profissão de destaque, com perspectivas e maiores horizontes para bem servir a capital e o Estado de Goiás.
Dentre as academias já instaladas em Goiânia, a Faculdade de Direito de Goiás (FDG), naquele tempo localizada no legendário Casarão da Rua 20, e herdeira da tradição dos cursos jurídicos criados na antiga capital, já havia alcançado sua incorporação ao sistema federal de ensino, conferindo-lhe reconhecimento em todo o território nacional.
Em 1960 a Faculdade de Direito foi incorporada a Universidade Federal de Goiás (UFG) e, em 1969, transferida a sede para a praça universitária, onde se encontra até os dias atuais.
Tais conquistas contaram com a fundamental participação de três grandes juristas de Goiás: Colemar Natal e Silva, Jerônimo Geraldo de Queiroz (ambos ocuparam tanto a diretoria da Faculdade de Direito, assim como a reitoria da UFG) e Gérson de Castro Costa (orador da turma de formandos de 1946), que na Câmara dos Deputados foi figura importante para a criação da UFG.
A propósito, a turma de formandos de 1946 obteve destaque tanto pela qualidade de juristas ali diplomados, mas especialmente pelo momento da redemocratização do Brasil, com eleições diretas naquele ano e transformações políticas refletidas no ambiente acadêmico.
Um reencontro, após trinta anos, dos formando de 1946 está em destaque nesta publicação e, a partir do registro, imperioso indicar seus integrantes: Anthenágoras Borges dos Santos, Ulderico Geraldo Rodrigues, Clenon de Barros Loyola, Joaquim de Abreu Cordeiro, Augusto Alves de Castro, Amaury Caiado, Nicodemos Alves de Souza, José Hermano Sobrinho e Antônio de Faria Filho.
Muitos deles se dedicaram a advocacia e fazem parte do grupo das dezenas em sua inscrição na OAB/GO, como o doutor José Hermano Sobrinho que ostentava a inscrição n. 42.
O mês de Agosto – tendo em vista a criação dos primeiros cursos de Direito do Brasil pelo imperador Dom Pedro I (Faculdade de Direito do Largo São Francisco – SP, e Faculdade de Direito de Olinda – PE), em 11 de agosto de 1827, se tornou o mês das celebrações de advogados e advogadas.
Aliás, o curso de direito no início era frequentado mais por homens que mulheres, fato que com o passar dos anos desapareceu, diante das participação feminina facilmente verificada na advocacia, magistratura, promotorias e procuradorias – além do quadro permanente de servidores e servidoras da justiça goiana e brasileira.
Em Goiânia durante os anos 1960 e 1970 surgiram outros cursos de direito, a exemplo da Faculdade de Direito da Universidade Católica de Goiás (UCG) e a Faculdade Anhanguera.
Apesar dos avanços democráticos do Brasil no ano de 1946, aquela mesma turma de formandos, e tantos outros que se formaram em direito até 1964, por mais uma vez, enfrentaram um regime de exceção política por outros vinte anos e, como regra e não exceção, a advocacia foi fundamental para a defesa e reestruturação de um novo momento de redemocratização no Brasil.
Por isso, a advocacia deve ser celebrada e valorizada por todos durante o mês de agosto, em homenagem àqueles que defenderam princípios republicanos e democráticos em tempos revoltos e, também, a todos que hoje ainda abraçam a carreira jurídica em defesa de direitos sociais, humanos, econômicos e politicos!!!


















