Quando a CIA espionava Goiás
Durante os anos mais tensos da Guerra Fria, Goiás entrou no campo de observação da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA). Documentos produzidos pelo serviço secreto norte-americano indicam que o governo de Mauro Borges Teixeira, que comandou o estado entre 1961 e 1964, era acompanhado de perto por Washington em razão de suas posições políticas e de suas ligações com lideranças nacionalistas que apoiavam reformas defendidas pelo presidente João Goulart. Os relatórios apontavam preocupação com o crescimento da influência de grupos de esquerda no Brasil e destacavam Mauro Borges como uma das lideranças regionais mais relevantes daquele período. Segundo os documentos, a inteligência americana avaliava que o governador goiano mantinha diálogo com setores considerados progressistas e acompanhava atentamente seus movimentos políticos, assim como os de outros governadores influentes do país. A vigilância se intensificou à medida que a crise política brasileira se agravava. Após o golpe militar de 1964, Mauro Borges acabou afastado do governo e teve seus direitos políticos cassados. Os registros hoje disponíveis ajudam a compreender como até mesmo estados distantes dos grandes centros de poder, como Goiás, foram monitorados por agências estrangeiras em um dos períodos mais conturbados da história brasileira.


