Você nunca se hospedou nele, mas este é um dos principais hotéis de Goiânia
O Palace Hotel de Campinas surgiu justamente no período em que a antiga Campininha das Flores assistia ao nascimento de Goiânia ao seu lado. No local funcionara o Hotel Duarte, de arquitetura mais tradicional, até que o proprietário Raul Naves iniciou, em 1937, a reconstrução do imóvel seguindo a linguagem art déco adotada na nova capital. Construído em 1938 e inaugurado em 1939, diante da Praça Coronel Joaquim Lúcio, na esquina da Avenida 24 de Outubro com a Rua Geraldo Ney, tornou-se o primeiro hotel de Campinas nesse estilo e um símbolo da modernização do antigo município.
Sua importância, porém, foi muito além da arquitetura. Campinas era passagem e ponto de apoio para quem chegava à região, e o Palace recebeu viajantes, pioneiros, engenheiros, autoridades e políticos envolvidos direta ou indiretamente com a construção da nova capital. A sacada do edifício transformou-se também em espécie de palanque da cidade, utilizada para discursos políticos e manifestações religiosas. Entre os personagens lembrados em registros históricos estão Pedro Ludovico Teixeira, Juscelino Kubitschek e João Goulart. Uma reportagem de 1992 resumiu bem seu papel ao afirmar que, para muitos moradores, o hotel era uma espécie de “sala de estar” das lembranças do nascimento de Goiânia.
Com o crescimento de Goiânia e o surgimento de uma rede hoteleira mais moderna, o Palace perdeu sua função original, mas ganhou importância como patrimônio. Em 1991, foi declarado patrimônio histórico-cultural do município, com previsão de transformá-lo em espaço dedicado à memória de Campinas. Posteriormente adquirido pela Prefeitura, passou por restauração e adaptação entre 1999 e 2000 e tornou-se sede da Biblioteca Municipal Cora Coralina.


